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    Edital para os pais

    FAMÍLIA E AFETIVIDADE

    22/02/2013

    FAMÍLIA E AFETIVIDADE
    • Família
    Família é o nosso lugar. Lugar de afetividade, de cuidado, de limite e de conflito. Lugar de amar, brigar, gritar, reparar, pedir desculpas, beijar, abraçar. Lugar para criar raízes e asas.

    • Os pais precisam sempre se lembrar de que os filhos não pedem para nascer.
    Eles são desejados pelos pais e quando um pai deseja um filho ele tem que assumi-lo pelo resto da vida. Pai não tem sossego, pai não tem férias, mas pai tem felicidade. Talvez não tenha muito prazer, mas tem felicidade. Qual é a felicidade de um pai? Imaginar que construiu um bom ser humano.

    • O que é ser família e quais são os conflitos que a envolvem?
    O que é família? A família é um conjunto que se unem pelo desejo do estarem juntas, por uma dinâmica chamada afetividade. E a afetividade é o maior conflito humano porque envolve o seguinte: eu amo muito o meu filho e é com ele que eu mais brigo. É preciso suportar esse conflito, compreender esse conflito porque sabemos que quando a gente briga em casa é sinal de amor. Que a gente pode brigar, gritar e depois reparar, pedir desculpas, beijar, abraçar. É o conflito que nos mantém vivos.
    Nós precisamos sempre ter claro na nossa cabeça uma idéia muito séria e às vezes difícil de entender à primeira vista que é o conflito. Eu costumo dizer aos pais: imaginem que todos nós vivêssemos muito bem, como os anjos, que nós fôssemos felizes o tempo todo, que não precisássemos comer, nem fazer cocô, nem xixi, nem sexo, nem dormir e nem escovar os dentes. Nós estaríamos mortos porque perderíamos a razão da vida, que é o conflito.
    Quando os pais, para evitar o conflito começam a deixar os filhos fazerem o que querem, terem a autonomia – que na verdade não é autonomia – eles começam a lidar com a morte. A ausência de conflito é a morte. Quando para escapar de sua angústia um jovem bebe álcool, usa droga, corre com o carro para ter adrenalina, enfim, foge do conflito através de uma mudança cerebral, ele entra num processo de morte que a gente chama de instinto de morte. Todas as vezes que a gente escapa dos conflitos sem tentar resolve-los, nós começamos a morrer. Por isso temos hoje tanta depressão na nossa sociedade e depressão entre jovens e crianças. É porque os pais, às vezes, não dão limites para evitar conflitos. E limites são cuidados; cuidados geram conflitos e temos que imaginar que o maior significado da vida é o conflito.

    Em uma de suas palestras você disse que a família dá “asas e raízes”. Gostaríamos que você explicasse melhor o que isto quer dizer?
    Asas e raízes são partes diferentes de objetos diferentes. Raízes são partes da planta que tiram, do chão o seu alimento e a sua sustentação. Asas têm como sinônimo fundamental a questão da liberdade e da autonomia. E essa é a função mais importante dos pais: fazer com que os filhos tenham as raízes neles e possam ter asas também. Quer dizer, a família é esta superposição na qual eu preciso ter uma referência. A referência de um sujeito é igual em qualquer lugar do mundo. Ou seja: é a referência afetiva: pai, mãe ou alguém que substitua este pai, esta mãe. Já a autonomia são as asas.
    O filho é este sujeito que tem que ir aos poucos se libertando dos pais, mas não das raízes. Nós sempre temos que ter pra onde voltar e sempre voltamos para o lugar afetivo. Por isso, a função fundamental da família é ser raiz e, ao mesmo tempo, oferecer oportunidade de autonomia, sabendo que nunca isso se cinde, nunca isso se quebra, nunca isso se separa. Nós precisamos ter asas e raízes, ou seja, voar com os pés no chão.
    O que tem acontecido hoje é que os pais começam a criar um mito muito perigoso, que é a idéia da liberdade. Eles não têm raízes e não têm dado asas. Tem feito uma coisa muito perigosa chamada negligência, que é, às vezes, ter uma criança de 9 anos e não saber onde ela está ou pegar um menino de 15, 16 anos e não conseguir dar limites para ele, não conseguir saber o que ele fez, com quem está, onde foi, o que pensa a respeito da vida...
    Atualmente, os pais têm imaginado que os filhos, por já saberem tanto sobre a vida, são capazes de se cuidar. Mas hoje sabemos que uma pessoa só é capaz de se cuidar a partir dos 21 anos de idade, quando o cérebro amadurece. Então até os 21 anos nós precisamos de raízes e começamos a criar asas. A negligência a que eu me referi antes quer dizer:
    - Mãe, eu vou sair.
    - Tá bom!
    A negligência não é nem raiz, nem asa. A negligência é abandono. É um filho sem asas que pensa que está voando, daí ele cai.
    Como participar da vida dos filhos depois de uma jornada de 12 horas de trabalho? Como achar tempo para a família, se às vezes o cansaço faz os pais não terem tempo?
    Lembre-se que seus filhos nasceram por desejo, portanto o seu cansaço vai ter que ficar de lado. Geralmente solicito aos pais que passam o dia fora que peçam aos filhos de 7, 8, 9, 10, 11 anos, que deixam para fazer lição na hora em que o pai chegar, para o pai ter tempo de brincar um pouco com o filho. Esta relação é importantíssima, entende?
    A gente não pode chegar em casa e imaginar que o filho vai ficar bem, porque quem ama, quem está vivo, precisa ser cuidado. Às vezes os nossos filhos não perdoam o nosso cansaço porque eles não têm culpa. Eles nos querem. Às vezes, para pedir nossa presença, eles desobedecem, quebram as coisas, não querem comer, não querem dormir e ficam desobedientes. É a maneira de pedir a nossa presença. Então, para quem tem filho, o cansaço não pode ser maior que o cuidado.

    Na década de 80, aqui no Paraná, um menino, muito amado e cuidado pela família, cresceu e matou o pai, a mãe e o irmão – caso verídico. Como é que você analisa isso?
    Eu não conheço o caso, mas queria saber se este menino foi mesmo cuidado. Às vezes os pais fazem de tudo para os filhos, mas não dão limites. Muitas pessoas interpretam que a família cuidou bem porque deu tudo que a criança queria. Mas isto é criar um psicopata que vai matar todo mundo mesmo.
    Eu gostaria de saber mais sobre o caso, porque uma pessoa muito bem cuidada é uma pessoa cheia de limites, que não pode dormir depois da hora que marcou, não pode ficar vendo televisão depois do horário combinado, não pode ficar sem escovar os dentes e nem sair de casa sem a mãe autorizar. Preciso saber um pouquinho da história deste menino, se este “muito bem cuidado” a que você se referiu é um menino bem cuidado do jeito que nós estamos falando, ou é bem cuidado no sentido de todo mundo ter feito o que ele queria. Porque se for desta última forma, repito, podemos criar um assassino.
    Existe diferença entre ter sido criado com limites e criado como rei. Para o rei não existe regras porque é ele quem faz as regras. Então pode ter resolvido matar todo mundo. Deve ter ficado doente, com a cabeça ruim. Porque uma pessoa que tem cuidado e está cheia de limites, jamais mata o pai e a mãe, jamais mata alguém e jamais se mata.
    Na sua opinião, em que idade o filho precisa mais da mãe?
    Quanto mais velho, mais ele precisa da mãe. Assim, o dia em que o filho for casado, tiver filhos, ele ainda precisa de mãe. O tempo todo os filhos precisam das mães, precisam de cuidados. Todos nós temos que ter preferência. Quando nós não temos referência na família, buscamos fora. E nenhum de nós é divino o suficiente, ou Deus para poder ficar sem referência.
    Quais as conseqüências para a criança quando cada pai fala uma coisa diferente para ela?
    Quando o pai fala uma coisa e a mãe fala outra ocorrem dois problemas: a criança vai começar a se aliar a quem dá menos limite e também a se sentir culpada em relação àquele que dá limite. Temos um duplo problema e, por isso, os pais precisam tomar cuidado.
    Quem impactos os exemplos negativos poder ter na formação das crianças?
    Apesar dos pais cometerem alguns erros, nem sempre o filho segue o exemplo, caso tenha um outro exemplo, uma situação comum ocorre com o filho de um pai fumante. Se o garoto tiver um tio de quem goste muito e que não fuma, ele consegue usá-lo como referência. Às vezes o filho tem um pai que bebe, mas ele detesta bebida e se ligou muito ao avô que também não bebe. A criança, o filho, precisa de referencia a às vezes a referência que ele usa é uma referência que ele vai copiar.
    O que a gente não pode é deixar o filho em conflito. Dizer, por exemplo: “Olha, eu vou me matar filho, mas você não faça isto”. Precisa tomar cuidado com esta história. Pais não são exemplos. São figuras importantíssimas para um filho. E quando um pai não se cuida e quer cuidar do filho, fica muito difícil.
    Dr. Ivan Roberto Capelatto
    Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta

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