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    Edital para os pais

    Desenvolvimento Psico-Social da Criança de 0 a 6 Anos

    07/03/2013






    POR QUE AS FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO DA CRIANÇA SÃO TÃO IMPORTANTES!

    Como é que podemos ter uma boa relação com nossos filhos? Como é que podemos encontrar alternativas para impedir que eles adoeçam? Meu objetivo é trazer essa resposta, é fazer com que o pai e a mãe repensem seus lugares, seus papéis na relação com os filhos.

    Nós nos preparamos para fazer tudo na vida: se eu quero ser diretor na minha empresa, faço um curso de diretor, aprendo a ser diretor e vou exercitar isso; se eu quero ser médico, faço seis anos de faculdade, mais dois de residência, mais e mais, e vou aprender a ser médico; se quero ser dentista, fico quatro anos na faculdade e aprendo.
    Mas não nos ensinam a ser pai e mãe. Vocês não vêem um curso que ensine a ser pai e mãe em nenhum lugar do mundo.
    E por que é tão importante a gente aprender isso? Porque nós, seres humanos, assim como nossos filhos, funcionamos de uma forma organizada, e essa forma organizada precisa ser conhecida e compreendida por nós.
    As crianças precisam passar algumas fases na vida para poder crescer psiquicamente saudáveis e nós precisamos aprender a mexer nessa forma organizada que constitui a vida das crianças que botamos no mundo.
    Embora eu fale de nossos filhos, quero que pensem que um dia vocês também foram crianças... então, pensem em vocês também, nas fases de desenvolvimento pelas quais todos nós passamos.
    Embora as fases não obedeçam rigorosamente a datas estabelecidas, elas acontecem dentro de alguns períodos de nossas vidas, e precisam ser observadas para serem compreendidas.
    - Fase oral = nascimento até ± 18 meses.
    - Fase anal = ± 18 meses até ± 54 meses (1½ a 4½)
    - Fase fálica = ± 4½ aos 6 anos
    - Fase latência = ± 6 anos a 11 anos
    - Fase adolescência = ± 11 anos aos ?
    - Fase genital ou maturidade = ?


    FASE ORAL - Nascimento até os 18 meses

    A primeira experiência vivida pelo ser humano é o próprio nascimento. Para nascer, o feto precisa deixar a segurança e a proteção do útero materno para enfrentar os estímulos do mundo externo. O nascimento constitui a primeira reação de separação. Há evidências que recém-nascidos de mães perturbadas tendem a ser hiperativos aos estímulos e a ter maior habilidade fisiológica, podendo ou não continuar com o desenvolvimento da criança de acordo com as atitudes da mãe.
    Desde os primeiros instantes de vida, o comportamento materno exerce influência na formação da personalidade da criança, isto porque, com seus gestos e sentimentos em relação ao filho, a mãe vai dando a criança sensações de prazer e desprazer que terá um grande efeito na sua concepção de realidade.
    Para que a mãe possa ter um desempenho adequado é necessário:
    - Expressar sua aceitação à criança.
    - Responder de maneira oportuna e eficiente aos seus apelos, mostrando sentimento de empatia.
    - A capacidade de aceitar o filho como um ser independente de si mesma, com características próprias, exigências e direitos legítimos.
    - Capacidade de estabelecer justas proibições (limite).
    Esses aspectos podem ser prejudicados em mães perturbadas, mais tarde isso pode impedir a independência da criança (simbiose).
    Para estabelecimento das relações mãe-filho tem grande influência o papel da mãe, o próprio filho e o meio familiar.
    Este período de desenvolvimento da personalidade (fase oral) é assim chamado, por que a maior parte das necessidades e interesses da criança está concentrada na “boca”. Tudo o que dá mais prazer a criança vem acompanhado da alimentação, colo da mãe, calor materno, afeto, atenção, etc.
    Nesta época a mãe é a única fonte de satisfação para a criança, sendo assim, a criança tirará da mãe a sua idéia de “mundo”, podendo ser o mundo bom ou mau. Se a mãe satisfazer suas necessidades adequadamente este mundo será bom, se não será mau.
    Mas vamos ver como se dá o desenvolvimento.
    Vocês devem se lembrar de seus filhos bem pequeninos, vivendo do nascimento até um ano e meio... O que acontece nesses 18 meses de vida?
    Eles nascem completamente frágeis e em 18 meses estão falando, andando, comendo, correndo... Quer dizer que nesse curto período nós já temos uma história de vida, já vivemos e experimentamos algumas situações que serão determinantes no futuro.
    Qual é a coisa mais importante da fase oral?
    A coisa mais importante dessa fase é o prazer oral. O ser humano, assim como todos os animais, precisa tirar prazer da vida, senão ele não gosta de viver, senão ele se deprime e adoece. E como é que a gente tira prazer da vida? Usando os prazeres que nosso organismo já tem.
    Na fase oral, como o próprio nome diz, o maior prazer da criança é o prazer oral, um prazer que dura a vida toda.
    Tudo o que fazemos na vida como adultos, adolescentes ou crianças, precisa ser recheado de prazer oral. De que valem um nascimento, um batizado, um casamento, uma formatura, um negócio bem feito, sem comemoração? Aquela visitinha boa, sem pelo menos, um cafezinho, é sempre sem graça! Tudo o que fazemos tem que ganhar uma conotação oral, senão nós não conseguimos ter prazer.
    A oralidade é o prazer fundamental da vida humana. É por isso que é difícil fazer regime, e é por isso também que nós temos que estar com a boca ligada em alguma coisa: no cigarro, no chiclete, na unha, mordendo lápis ou pondo o dedo na boca... e outras coisas mais que as pessoas põem na boca.
    Então, a oralidade e a oralização são prazeres que duram a vida toda do ser humano. Para cuidarmos bem de uma criança na fase oral, nós temos que ajudá-la a oralizar. O que a gente faz, então?
    Temos recomendado aos pais que ofereçam comida ao bebê toda vez que ele chorar. Se, mesmo assim, ele continuar chorando, é preciso ver se tem alguma outra coisa errada com ele.
    Jamais marque hora para o bebê mamar: ofereça o seio ou a mamadeira na hora em que o bebê estiver com fome. Quando o bebê não estiver com fome, a gente deve dar a ele um instrumento muito importante na vida das pessoas, que é a chupeta. Até os três anos de idade, a chupeta faz parte dessa oralização. A partir do terceiro ano de vida, a própria criança vai tirar o objeto oral e substituí-lo por outras formas de oralidade, como cantar, falar, roer unha e tudo o mais.


    O QUE A CRIANÇA PRECISA NA FASE ORAL?

    A criança precisa ser cuidada sempre pela mesma pessoa: se for a mãe, que seja sempre a mãe; se for a avó, que seja sempre a avó; ou então a mesma empregada. Quando há muita troca de pessoas que cuidam de uma criança, ela começa a ter problemas, e esses problemas vão aparecer na fase seguinte, a fase anal. A criança criou dentro de si uma dificuldade muito grande de identificar-se com as pessoas.
    Nós temos encontrado hoje, nos consultórios de pediatria, psiquiatria e psicologia, muitos problemas de identificação: crianças psicóticas, crianças com má adaptação à vida, má adaptação à escola. Isso porque essas crianças foram cuidadas, durante a fase oral, por pessoas variadas.

    • CARÁTER
    Os adultos fixados:
    Se receberam grande satisfação oral o indivíduo tende a: ser otimista, acreditar que conseguirá tudo facilmente, ser despreocupado tendendo a passividade.
    Se sofreu frustrações poderá se tornar uma pessoa pessimista, acreditar que suas necessidades nunca serão satisfeitas. Por atitudes negativas poderá se isolar ou por desespero se ligar a outras pessoas.
    O fixado oral tem uma grande necessidade de ser cuidado. Possui uma forte tendência a odiar e destruir, tem ciúmes da atenção que os outros recebem, nunca se mostra satisfeito com o que tem e normalmente é bastante sádico. Em geral são “grudentas”, parece querer comer os outros ou estabelecer uma relação parasitária. No início da amizade ou relacionamento afetivo provocam uma boa impressão, falam mutuamente estabelecendo contatos com facilidade.



    A FASE ANAL

    Se tudo correr bem com a criança na fase oral, ela passará para a fase seguinte: a fase anal. O termo anal vem de ânus, de esfíncter anal. Assim como na fase oral o prazer está na boca, na fase anal o prazer é segurar e controlar o cocô e o xixi. É fácil reconhecer o início da fase anal: por volta de um ano e meio a dois anos, eu chamo meu filho e falo:
    — Filho, vá tomar banho!
    E ele:
    — Não vou!
    E não vai mesmo.
    Este é o começo da fase anal, que é a mais importante do processo de desenvolvimento. Nessa fase, a criança normal é desobediente: diz não para tudo e não dá nada do que é seu para os outros. Outra coisa que faz com a gente saiba que nosso filho está na fase anal é o sentimento de pertinência. Quem tem cachorro em casa vai entender o que vou explicar: assim como os animais, nós precisamos demarcar, assegurar nosso território, onde possamos desenvolver nossa personalidade. O cachorro passeia com seu dono e faz xixi em vários lugares; em casa, qualquer objeto novo é logo “reconhecido” por ele, que vai lá e faz seu xixi no local.
    O sentimento de pertinência também existe no ser humano e aparece durante a fase anal. Em vez de fazer xixi ou cocô pela casa - embora algumas crianças o façam -, na fase anal as criancinhas pegam seus brinquedinhos - aquele carrinho que ganhou da madrinha e desmontam, quebram, separam e vão esparramando pela casa.
    A menina ganha da tia uma revistinha da Xuxa e já começa a picar e a esparramar pela casa. A mãe de uma criança normal - porque isso é normal - vai encontrar pedaços de brinquedos por toda a casa: perto da geladeira, em cima da mesa, no quarto dela e não-sei-aonde-mais. Essa é a forma psicológica da criança assegurar seu território e desenvolver sua personalidade.
    Nessa idade, também vamos observar o prazer que a criança sente em segurar o xixi. O menino brinca pela casa e a mãe observa que ele está com a perninha cruzada e já está saindo xixi na cuequinha... mesmo assim, ele não vai fazer xixi. De repente, na hora que não agüenta mais, ele corre para o banheiro e faz um xixizão, ás vezes com o carrinho na mão, ou faz xixi no carrinho também.
    É um prazer muito grande. E esse prazer de segurar o xixi ou o cocô e depois soltá-lo marcam a fase anal. Quem tem filho nessa fase já deve ter observado que a cuequinha fica sempre manchadinha de cocô porque ele fica segurando, segurando, segurando... e na hora em que não agüenta mais, geralmente passa na cozinha, pega uma bolacha e vai ao banheiro fazer cocô. Ou passa na cozinha, bebe um copo d´água e vai fazer cocô.
    Por que ele faz isso? Ora, como ele vai esvaziar, precisa preencher.
    Esses movimentos da fase anal são os mais importantes da vida do ser humano. É na fase anal que nossos filhos constituem o fenômeno chamado identidade; é nessa fase que ganham uma identidade, e nós temos que ajudar esses meninos e essas meninas a ganharem essa identidade.





    COMO É QUE A GENTE AJUDA UMA CRIANÇA NA FASE ANAL?

    A criança que está dizendo não, que desobedece, que faz birra, que às vezes pega coisas dos outros sem pedir é uma criança normal, e nós temos que ajudá-la a fazer dessa fase uma coisa boa para ela. Então, como a gente ajuda nosso filhinho a sair da fase anal? Através da constituição dos limites.

    O QUE SÃO LIMITES?

    Colocar limites na educação dos filhos não é somente dizer não, mas demonstrar o significado desse não; o limite é uma relação de amor e de cuidado que os pais devem ter com seus filhos, criando uma fronteira entre o que é certo e o que é errado.
    Limites são posturas não-verbais que os pais podem e devem assumir para ajudar o filho a receber carinho e experimentar a frustração. Junto com a frustração que a criança sente, surgem sentimentos importantes para a vida, como a raiva, a culpa, o medo, o amor e o ódio.
    A sabedoria popular inventou as histórias infantis, meio muito eficaz para ajudar as crianças a organizarem os sentimentos.
    Existe uma coisa muito importante na nossa vida, que se chama superego. Superego é um mecanismo de repressão que nos defende da doença mental. Quais os sentimentos que a gente precisa ter dentro de nós para que possamos nos defender da doença mental? O medo e a culpa.
    Medo é sempre saudável, principalmente na infância. O medo ajuda o psiquismo a se proteger contra os impulsos inconscientes que ainda não estão organizados dentro de nós e que podem provocar uma doença mental, em qualquer fase de nossa vida.

    O QUE DEVEMOS FAZER PARA UMA CRIANÇA ORGANIZAR OS SENTIMENTOS DE MEDO E CULPA?

    A sabedoria popular descobriu um meio muito eficaz para ajudar as crianças a organizarem os sentimentos, que ficam todos desorganizados quando somos pequenos: são as histórias infantis. Quem teve a sorte na vida de ter pais ou avós que contavam histórias vai se lembrar que foi com essas histórias que conseguiu organizar o medo e a culpa.
    Temos orientado os pais a contar histórias e, de preferência, as histórias tradicionais, aquelas que têm coisas horríveis, como gente que morre, gente que mata, perda da mãe, lobo que come gente, gente que tem inveja de gente, gente que faz bem, gente que faz mal... Enfim, tudo isso que povoa a cabeça da criança e que ela não tem condições de organizar. Enquanto contamos histórias, estamos falando de um monte de sentimentos e ajudando a criança a organizá-lo.
    Vocês perceberão, então, que a criança vai pedir para contar a história da mesma maneira e pedir para repetir algumas partes. Vai pedir, também, para repetir sempre a mesma história, até que organize algum sentimento e aí, você poderá passar para outra, que vai se repetir, se repetir... e assim por diante.
    O conteúdo das histórias infantis é cheio de experiências e sentimentos que fazem parte da nossa vida e nós temos que preparar nossos filhos para isso mesmo: para o ciúme, para a dor, para a inveja, para a amizade, para a conquista, para as perdas e para a morte.
    Porque a criança fica oito dias pedindo para contar a mesma história e, mesmo depois de contada tantas vezes, ainda pede para contar de novo? Ela faz isso para poder introjetar, organizar o medo, organizar os sentimentos que a história veicula e que a gente descreve nas situações. É com a história infantil - que também pode ser inventada - que a gente organiza o superego que protegerá nossos filhos. No futuro, quando tiverem uma perda, eles não precisam ficar doentes mentais
    Outra coisa importante na fase anal é a presença da mãe ou do pai nas arrumações. Como a criança sempre esparrama seus brinquedos pela casa, na hora de dormir, antes de escovar os dentes, o pai ou a mãe deve pegar na mão do filho e dizer:
    — Filho, queridinho da mamãe, agora nós vamos guardar as coisas.
    Toda casa que tem crianças na fase anal tem que ter um caixote para guardar as coisas dela. Então a gente passeia pela casa e vai guardando as coisas; só que o filho não guarda; é o pai ou a mãe quem guarda; a gente vai junto com ele, mas ele não guarda; aliás, no meio do caminho, ele acha aquele brinquedo que passou o dia inteiro procurando e resolve ir brincar.
    Guardados os brinquedos, a criança vai dormir e, no dia seguinte, qual é a primeira coisa que ela faz quando levanta? Pega o caixote, joga os brinquedos no chão e esparrama tudo de novo. É assim que é. E na noite seguinte a mãe faz tudo de novo.


    O QUE MAIS A GENTE PRECISA FAZER, ALÉM DE DAR LIMITES E CONTAR HISTÓRIAS?... ESTAR PRESENTE!

    Mesmo que os pais trabalhem fora, é em nome deles que as coisas devem ser ditas e feitas. Por exemplo: a mãe chama a empregada e o filho, e diz, na frente dele:
    — Júnior, quero que a Maria faça assim, assim e assim com você.
    Então, quando a Maria precisa levar o Júnior para almoçar, ela vai dizer:
    — Foi sua mãe quem pediu para fazer assim!
    Tudo deve ser dito sempre em nome da mãe ou em nome do pai, mesmo que eles estejam ausentes.






    Fase Fálica – Quatro anos e meio até seis anos

    Se a criança passa bem pela fase anal, se ela tem uma mãe, um pai que faz tudo isso que eu falei, ele vai entrar numa fase curtinha, a fase fálica. O filho está com quatro anos e meio/cinco e descobriu que se dormir de bruço, o pipi fica gostosinho; que se ele brincar de cavalinho na perna da vovó, o pipi também fica gostosinho. Descobriu o que? Que ele pode tirar prazer de seu órgão sexual, e que o papai é homem e a mamãe é mulher, que a professora é mulher, que a empregada é mulher e que o tio é homem.
    O que mais a criança descobre com tudo isso? Ele descobre a sexualidade das pessoas porque, até então, ela não tinha essa noção. É só na saída da fase anal, a partir dos cinco anos, que nós começamos a ter essa noção. A criança começa a se interessar em ver o pipi do papai, o pipi da mamãe, da vovó, do amiguinho... Os amiguinhos vão brincar em casa, e daqui a pouco, está todo mundo tirando o shortinho e brincando com o prazer sexual. Isso é normal.
    A criança também começa a perguntar:
    ? Mãe, como é que eu nasci?
    E a mãe tem que contar. Só que ela não pergunta apenas uma vez: ela pergunta uma vez, passam-se dois dias e ela pergunta de novo. Ela quer saber se a mãe vai falar a mesma coisa... e daqui a pouco ela pára de perguntar e passa a esconder a sexualidade dos pais. As brincadeiras com os amiguinhos passam a ser longe do olhar dos pais.
    Nessa fase também começa o que a gente chama de angústia do crescimento. Por exemplo: Juninho está com, mais ou menos, cinco anos, já faz dois anos que ele vai à escola, vai e volta muito bem. Mas, um certo dia, a mãe vai levá-lo para a escola e ele começa:
    ? Mãe, não quero ir para a escola, é só hoje mãe, eu prometo.
    Aí a mãe leva o filho à escola e ele vai porque a mãe quer e na entrada ele diz:
    ? Mãe, você vem me buscar, você não se esquece de mim?
    Isso se chama angústia do crescimento, é um sentimento normal e que não deve ser atendido, ou seja, a criança deve ir para a escola. Nessa fase, a criança também começa a organizar os sentimentos de separação: percebe que as pessoas se separam e que quando se separam, isso dói.
    A criança começa a se interessar e a querer se aproximar do pai do mesmo sexo: o menino com o pai e a menina com a mãe.
    A gente cuida da criança na fase fálica dando respostas coerentes, respostas certas às perguntas que ela fizer.
    Também devemos continuar contando estórias, e nessa fase podemos contar histórias da gente, da nossa infância, histórias de quando aconteceu isso ou aquilo.
    Devemos continuar mantendo os limites: sim e não.
    ? Vamos almoçar! Vamos jantar!
    Sempre mantendo o contato físico, que é fundamental.




    Fase de Latência – 6 a 11 anos

    Se a criança passa bem pela fase fálica, vai entrar na fase que a gente chama de formação da sexualidade: é a fase de latência, que vai dos seis anos aos 11 anos. Quem tem um filho com idade entre 6 e 11 anos, já deve ter escutado uma coisa assim:
    ? Mãe, a que horas o papai via chegar? Posso esperar o papai para tomar banho? Mãe posso esperar o papai para jantar?
    Se for a menina, a conversa é assim:
    ? Mãe, posso tomar banho na hora em que você for?
    ? Posso comer na hora em que você for?
    ? Posso dormir na hora em que você for?
    Esse fenômeno é muito importante; é o fenômeno da identificação sexual: o menino vai aprender a ser homem e menina vai aprender a ser mulher.
    A gente aprende a ser homem “bebendo”, recebendo valores do pai; ou a gente aprende a ser mulher “bebendo”, introjetando valores da mãe.
    O Zezinho tem um pai que gosta muito de cozinhar e toda vez que vai cozinhar, ele chama o filho:
    ? Vem cá, filho, vamos cozinhar?
    Esse filho está fazendo uma coisa feminina? Não, o menino está fazendo uma coisa masculina, porque vem do papai.
    Antigamente, a gente pensava que existiam coisas de homem e coisas de mulher. Hoje, sabemos que coisas de mulher são coisas que a mulher faz, mesmo que sejam coisas de homem; e coisas de homem, são coisas que o homem faz, mesmo que sejam ciosas que a mulher também faz.
    A gente tem pedido aos pais homens que se aproximem muito de seus filhos homens na fase dos 6 anos aos 11 anos, conversando muito com eles, falando muito de si para eles, contando coisas que fazem fora de casa.
    Por exemplo: o pai pode falar do trabalho, onde almoçou e com quem estava, falar como estava o trânsito, contar o que gosta de fazer, das coisas que está pretendendo fazer.
    E a mãe deve fazer a mesma coisa com a menina: permitir que ela entre no seu mundo. Para isso, a mãe tem que falar muito de si.

    O que a gente tem pedido para os pais não fazerem?

    Vamos imaginar que a Mariazinha é minha filhinha que tem nove aos e está na fase da latência. Ela está na escola e eu vou buscá-la. Eu paro o carro na porta da escola e ela entra. Eu digo:
    ? Filha, sabe o que eu fiz enquanto você estava na escola? Eu fui ao supermercado e comprei isso e isso.
    Bom, essa mãe é adequada. A mãe inadequada pára o carro, a Mariazinha entre e ela diz:
    ? Onde você sujou a saia? Foi bem na aula? Você obedeceu à tia? Foi bem na prova?
    Tudo isso de uma vez só. Essa mãe não deixa a filha entrar em seu mundo, mas ela entra no mundo da filha. A filha passa a ser referência dela, em vez dela ser a referência da filha. Essa filha pode começar a ter problemas.
    Por exemplo: às vezes, a filha dessa mãe conhece a mãe de uma amiga de quem ela gosta muito, e a mãe dessa amiga costuma falar de si. Então, ela acaba ficando salva pela mãe da amiga. Mas, se ela não tiver a mãe da amiga que a salve, essa menina pode crescer sem referência e ter problemas com a sexualidade, ter problemas nas relações sexuais com o marido, ter problemas na constituição de sua feminilidade, o que pode trazer um sofrimento de verdade.
    Então, dos 6 aos 11 anos, a gente sempre deve falar da gente para os filhos.
    O pai chega e fala:
    ? Filhão, hoje eu estava vindo para cá e quase bati o carro lá no semáforo.
    Aí o filho também fala:
    ? Pai, hoje no recreio um menino veio e derrubou meu lanche no chão...
    Dos 6 aos 11 anos também começam os tiques. De repente, aquela menina de sete anos, a Mariazinha, está na aula escrevendo e começa a enrolar o cabelo; uma outra menina começa a roer a unha; a outra, a estalar a língua, ou os dedos; a outra, a morder os cantinhos da boca, a arrancar a pelinha da unha, a morder o lápis e a gaguejar durante um tempo.
    Tudo isso é normal. Roer unha é normal? É. Mesmo que seja a unha do pé. Os tiques e as manias são normais dos 6 anos aos 11 anos. Nessa fase, é até necessário que isso aconteça.
    Agora, se acontecer depois dessa idade, aí a gente precisa conversar!
    Nessa fase acontece um problema muito grave conosco, homens deste país. Na fase da identificação, o maior cuidado que a gente tem que ter é o de dar ao menino um pai, ou alguém que o substitua: um avô, um tio, um padrinho. Antigamente, existiam essas figuras; hoje, estão em extinção. Existia a madrinha, alguém que substitua a figura da mãe, o padrinho, o avô que podia ajudar o pai a cuidar de seu filho.
    Quem tem filho que foi para a alfabetização, ou os homens que se lembram da sua própria infância, já devem ter observado o seguinte: o Lúcio está com seis anos de idade, está precisando se masculinizar, está precisando virar homem e aí ele vai para escola aprender a ler e a escrever. Quem vai dar aula para ele? Uma mulher! O que pode acontecer com Lúcio? Pode acontecer uma coisa assim: a letra dele, em vez de ficar bonita, começa a ficar feia: na segunda-feira a letra está grande, na terça, está pequenina, na quarta-feira, está virada para a esquerda, na quinta, para a direita.
    Enquanto isso, a letra da menina começa a ficar cada vez mais bonitinha, o caderno bonitinho tem florzinha desenhada igual ao da tia. O caderno do Lúcio está todo cascudo, cheio de orelhas, já ficou sem a capa três vezes; se o caderno é espiral, cada vez que vai escrever ele arranca uma folha com o cotovelo, os lápis dele estão todos sem ponta; ele vai para o recreio brincar e quando volta está pingando, suado, sujo. A Lúcia, não: ela volta toda bonitinha.
    Por que? Porque a Lúcia tem a sorte de ser mulher e encontrar uma mulher para se identificar; o Lúcio vai ter que ser o oposto da mulher para ele não ficar parecido com a professora. Então vocês imaginam que coisa horrível que é para os homens ter que fazer um esforço grande para não ficar parecido com as meninas, nem com a tia, num momento tão importante que é começar a gostar da escola.
    E na escola acontecem várias coisas. Por exemplo:
    O Lúcio chega em casa e diz:
    ? Mãe estou namorando!
    A mãe fica feliz e quando vai à reunião da escola pergunta à professora:
    ? Quem é a Mariana? O Lúcio disse que está namorando ela.
    Aí a professora conta a verdade: o Lúcio gosta muito da Mariana, mas o que ele faz no recreio? Quando a Mariana sai para comer o lanche, ele sai correndo para trançar o pé nela; de fato, ele não fica namorando a Mariana. Por que? Porque como ele está formando sua identidade sexual, ele não fica de mãos dadas com a mulher, e sim vai brincar de pega-pega.
    No recreio de crianças de seis, sete anos, os meninos empurram as meninas, colocam apelidos nelas, fazem chacotas com elas. Essa é uma das formas de se aproximar das meninas sem se contaminarem por elas.
    Na fase de latência, devemos continuar com as estórias e com “chá de pai”, ou seja, todo menino dos 6 anos aos 11 anos precisa escutar muito sobre seu pai, mesmo que ele trabalhe a semana toda fora e só esteja em casa no sábado durante meia hora.
    Quando estiver com o filho, de mãos dadas, no colo, o pai deve falar de si. Não vai ter problema se o filho tiver um pai assim, ou se a filha tiver uma mãe assim. Esses gastos economizam cem anos de análise.
    Se o Junior passa bem pela fase da latência vai entrar na fase mais sofrida da vida humana a adolescência.

    Dr. Ivan Roberto Capelatto
    Psicólogo e Psicoterapeuta


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